RIP – Anthony Bourdain

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8 de junho de 2018 por Felipe Tavares

Ainda em meio à lagrimas começo este texto. Não, não é drama. Li a notícia da morte do Anthony Bourdain hoje de manhã no ônibus e minha vontade foi de descer naquela hora e sair por aí, pensei em tomar um Jack Daniels para honrá-lo, mas ainda eram 8h da manhã.

Este sentimento não é exclusivo meu, ainda bem. Basta abrirmos nossas redes sociais que estão lá enxurradas de declarações de chefs, jornalistas e de todo mundo mostrando – ainda em choque –  toda a admiração, respeito e carinho à essa figura lendária que foi Bourdain.

Muito mais que um chef, Bourdain se consagrou como uma das maiores autoridades no assunto Gastronomia. E escrevo “Gastronomia” no sentido mais amplo da palavra, respeitando a cultura, pessoas, produtos e suas histórias.

Ao vermos qualquer episódio dos seus programas é admirável de se ver o respeito que todos tinham por ele. Do chef 3 três estrelas Michelin à uma cozinheira amadora de Nova Orleans preparando um torresmo. Bourdain era o dono desta porra toda.

Minha relação com ele começou em 2010 quando li “Cozinha Confidencial”, seu primeiro livro e que até hoje para mim é o mais realista da nossa vida de cozinha. (Clique aqui para ler meu texto) .

Na época eu tinha acabado de trocar de profissão e me sentia péssimo com a carreira de cozinha. Não me adaptava àquela vida e seus horários, me sentia um incompetente, ficava abismado com a realidade dos profissionais e restaurantes ~uso de drogas, alcoolismo, brigas ~ e pensava: péra, acho que escolhi errado.

Mas ao ler o livro senti um conforto, uma salvação. A realidade mesmo que dura, era aquela sim. Estava tudo ali escrito. A vida dele, a minha vida e a sua vida. E se ele conseguiu dar a volta por cima, eu também conseguiria e, se esta for sua escolha, você também conseguirá. E eu só continuei nesta carreira por causa dele, dos seus livros e programas. Era possível passar por tudo aquilo sem sofrer tanto. A gastronomia era meu lugar, era puro rock n roll e foi minha melhor escolha.

Ao longo dos anos, ele ficou reconhecido pelo seu jeito simples, sem frescuras ou afetação com o universo gastronômico. Comia um caviar iraniano num palácio real com a mesma boca boa que tomava uma sopa de sangue de porco num abatedouro da Tailândia. E assim, ele escancarou a gastronomia para todos e adquiriu uma legião de fãs por todo mundo. Não só pelos profissionais de cozinha, mas por todos que gostam de comida boa.

Com seu suicídio (aliás, precisamos falar sobre isto) Anthony Bourdain deixa um posto que não será ocupado por ninguém tão cedo, o de alguém que conseguia enxergar que a gastronomia não é só a comida, NÃO É GLAMOUR ou algo exclusivo de ricos. Gastronomia são pessoas, histórias e produtos.

Vá em paz, Anthony Bourdain! Obrigado por nos deixar orgulhosos da profissão que temos e por ter inspirado tantas pessoas!

Abraços despedaçados,

Felipe Tavares

 

Para ler todos os textos (não foram poucos) em que citei ele nestes anos, clique aqui

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